
W18 2026 - Releases em Destaque

Aqui estão os destaques da semana 18 de 2026. Não podíamos deixar de assinalar o regresso de Tempers, a banda com que a Crowdmusic iniciou o seu caminho nos concertos com 2 datas perto de esgotadas no Porto e em Lisboa. Temos ainda o regresso dos American Football, o projecto do frontman dos Metz - Weird Nightmare, o novo álbum dos Kneecap que nos visitam no Primavera Sounds Porto. O novo EP dos Junior Varsity é algo que nos agrada já que é uma banda que mantemos debaixo de olho desde o contagioso "Cross the Street" de 2024.
Mas vejamos então as novidades!
Tempers - Delusion
Delusion saiu a 24 de abril e é o disco mais ambicioso de Jasmine Golestaneh até hoje. O projeto nova-iorquino Tempers lançou o álbum na sua própria editora, fear of luxury (distribuída pela Cascine/Secretly), e co-produziu com Jorge Elbrecht um registo que recusa qualquer rótulo: numa faixa estás em território art pop, na seguinte é techno, depois vira grunge ou metal com laivos de balada épica. Golestaneh descreve-o como uma jornada de cura não-linear — mas o que se ouve é visceral e implacável. Sublevel, Deep Fake Heaven e What Kind Of Time são pontos de entrada obrigatórios.

American Football - LP4
Os American Football regressaram a 1 de maio com LP4, o primeiro álbum em sete anos e o registo mais ambicioso da carreira. Mike Kinsella escreve com um divórcio como ponto de partida — com a honestidade crua que sempre o definiu — e o resultado é um álbum de emo midwest que se aventura em piano, vibrafone, sintetizadores e trompete sem perder o fio condutor que liga tudo num exercício catártico e cru. Brendan Yates dos Turnstile aparece em No Feeling, Caithlin De Marrais (Rainer Maria) em Blood on My Blood. Dissonante, profundamente sentido, e melhor ainda do que seria justo esperar.

Weird Nightmare - Hoopla
Alex Edkins é o rosto e a força dos METZ — uma das bandas de noise rock mais brutais dos últimos anos. Hoopla, o segundo álbum do seu projeto a solo Weird Nightmare, saiu a 1 de maio pela Sub Pop e é praticamente o oposto: power pop melódico, garage rock exuberante, produzido com Jim Eno dos Spoon em gravações feitas nos Machines with Magnets. O resultado é um álbum que diverte, surpreende e revela um songwriter com um sentido pop que os METZ nunca deixavam transparecer. Uma das descobertas mais inesperadas do ano.

Kneecap - Fenian
FENIAN chegou a 1 de maio pela Heavenly Recordings, produzido por Dan Carey, e os Kneecap não perderam um milímetro da sua vontade de incomodar. O segundo álbum do trio irlandês de hip-hop em gaélico é mais denso, mais politicamente carregado e musicalmente mais maduro do que tudo o que fizeram antes. Com participações de Kae Tempest e dos noruegueses Casiokids, e faixas como Palestine, Smugglers & Scholars e o devastador Irish Goodbye, é um disco que tem reunido uma excelente receção da crítica e do público. Não é fácil. Não pretende ser. Mas é relevante e isso nota-se.

Em baixo o mini filme / video clip de "Irish Goodbye" com Kae Tempest.
Knats - A Great Day in Newcastle
Knats são de Newcastle e chamam ao que fazem "Geordie Jazz" — ou, noutros dias, "Geordie Noir". A Great Day in Newcastle, lançado a 1 de maio pela Gearbox Records, é uma documentação musical da experiência da classe trabalhadora do nordeste inglês: Stan Woodward no baixo, King David Ike Elechi na bateria, Sandro Shar nos teclados, George Johnson no saxofone tenor, e o poeta Cooper Robson a narrar histórias de abuso de substâncias, violência e masculinidade tóxica com a leveza paradoxal de quem cresceu a lidar com essas coisas. Jazz que empurra, que dança, que dói. Fora do comum.

YU SU - Foundry
A músico, DJ e chef criativa chinesa Yu Su lançou Foundry a 1 de maio pela Short Span (Sheffield) — o seu segundo álbum, e uma evolução clara desde a estreia de 2021. Feito a partir de material criado para actuações ao vivo no MUTEK em 2025 e moldado por uma mudança para Londres, o disco move-se num espaço "pós-orientalista" que ela própria descreve como "música de entremeio" — ambient techno minimal com colaborações de Dip in the Pool, Memotone e Seefeel. Oito faixas, 40 e tal minutos, e uma sensação de estar algures que ainda não está cartografado.

Junior Varsity - Ready
Ready é o novo EP dos Junior Varsity, saiu a 1 de maio pela Key Records, e é oficialmente o "Side A" de alguma coisa — o que significa que há um Side B prometido para mais tarde este ano. Os Junior Varsity reduziram-se a duo (Greg Aram e Zach Michel) depois de Brooke Danaher ter deixado a banda, mas continuam a ter o contraste (diálogo?) entre a voz feminina e masculina que tão bem funcionou em "Cross The Street", o grand hit da banda. O agora duo construiu cinco faixas (incluindo intro) de indie pop impecavelmente produzido, com alguma nostalgia dos anos 2000 revisitada à luz actual. A sensibilidade melódica pop continua intacta. Participações de Oxis, Lola Blue, The Teenagers e Unflirt completam a dinâmica vocal. Curto, viciante, e a prova de que o formato EP ainda tem tudo para dar quando está bem feito. Esperamos agora pelo lado B.

Modern Woman - Johnny's Dreamworld
Saiu a 1 de maio pela One Little Independent, e Johnny's Dreamworld é a estreia que Modern Woman merecia. A banda londrina, liderada pela compositora Sophie Harris e completada pelo violinista e compositor David Denyer, navega entre o post-punk, o folk experimental e o avant-garde com uma naturalidade desconcertante. As letras de Harris habitam os cantos sombrios do dia-a-dia — as contradições de ser mulher, a poesia torta do ordinário — e faixas como Killing A Dog e Dashboard Mary têm uma ameaça contida que fica alojada na cabeça. Uma estreia que já entrou na conversa sobre os melhores "debut" do ano.

The North - Coming of Age
The North são de Leeds, têm pouco mais de um ano de vida enquanto banda, e já chegaram ao vinil cor-de-rosa. O EP Coming of Age saiu a 1 de maio e tem quatro canções — Can't Sleep, Coming of Age, Eyelashes e Tubes — que cabem perfeitamente nessa categoria de música que parece escrita por alguém que ainda não sabe bem quem é, mas sente tudo com uma intensidade enorme. Billy Memphis na voz e guitarra, Sian Keates na bateria, Kobi Griggs e Macca Boylan a completar. Indie rock directo ao assunto, sem floreados e com melodias que se trauteiam facilmente. Guardem o nome.

date published
04/05/2026
reading time
5 min read





